Foram dez tentativas frustradas até que Altair Almeida recebesse, em março de 2025, a notícia de que havia um pulmão compatível e em condições para o transplante. Depois de conviver com a fibrose pulmonar e depender de oxigênio 24 horas por dia, ele ganhou uma nova chance após a família de um possível doador autorizar a doação.
A espera começou oficialmente em julho de 2024, quando Altair entrou na lista de transplante de pulmão. Aos 64 anos naquele momento, ele sabia que o tempo era um fator importante para conseguir realizar o procedimento.
Antes disso, a doença já havia reduzido de forma significativa a autonomia do transplantado. Em 2023, com a piora do quadro, Altair e a esposa deixaram Brasília e se mudaram para Fortaleza.
Fibrose pulmonar mudou rotina de Altair antes do transplante
A doença fez com que Altair passasse a depender de oxigênio continuamente. A limitação chegou ao ponto de atividades simples do cotidiano se tornarem difíceis, como se deslocar de um cômodo para outro da própria casa.
A entrada na lista de transplante representou o início de uma espera que envolvia a necessidade de encontrar um órgão compatível dentro de um período limitado.
Altair Almeida, transplantado, relembra o período em que aguardava uma oportunidade. Ele falou sobre o assunto com a TV Cidade Fortaleza:
"A partir daí, começamos uma espera. Havia uma luta, uma corrida contra o tempo, porque o transplante de pulmão tem uma limitação de idade. Ele só pode ser feito até os 65 anos de idade e eu já tinha 64 anos. Então eu realmente não poderia esperar muito."
A partir da inclusão na lista, Altair foi chamado dez vezes. Em algumas dessas ocasiões, o órgão disponível não apresentava condições para o transplante. Em outras, a família do possível doador não autorizou a retirada dos órgãos.
A situação mudou na 11ª chamada, em março de 2025.
Dez chamadas até o transplante de pulmão
Na última tentativa, o órgão era compatível e apresentava condições para ser transplantado. A autorização da família doadora completou as condições necessárias para que o procedimento fosse realizado.
Altair Almeida recebeu a confirmação quando já tinha 65 anos e alguns meses. Mesmo assim, os médicos autorizaram o procedimento.
"Eu já com 65 anos e alguns meses, os médicos autorizaram. Eu fui chamado. E, felizmente, dessa vez, deu tudo certo. O órgão era compatível, estava em condições de ser transplantado e a família, com a graça de Deus, disse sim. Então, em março de 2025, eu recebi o meu milagre."
O transplante marcou uma mudança na rotina de Altair e também reforçou, para ele, a importância da decisão tomada pela família que autorizou a doação.
Doação de órgãos cresce no Ceará
O número de transplantes realizados no Ceará também aumentou nos últimos anos. Em 2023, foram registrados 1.763 procedimentos. No ano seguinte, o número chegou a 2.060. Em 2025, foram 2.102 transplantes.
A diferença entre 2023 e 2025 foi de 339 procedimentos, um crescimento de aproximadamente 19%.
As córneas concentraram a maior quantidade de transplantes em 2025, com 1.371 procedimentos. Também foram realizados 264 transplantes de rim, 242 de fígado, 23 de coração, três de pulmão e um de rim e pâncreas.
O período também registrou doações de medula óssea, esclera e válvula cardíaca.
Entre os transplantes realizados no ano passado está justamente o de pulmão recebido por Altair. A experiência dele representa uma das histórias de pessoas que aguardam por uma oportunidade a partir da doação de órgãos.
Altair hoje vive sem precisar de oxigênio
Depois do transplante, Altair deixou de depender do oxigênio para respirar. Ele segue em acompanhamento médico, com exames e consultas mensais no hospital.
A mudança representa uma nova rotina depois do período em que a fibrose pulmonar limitava atividades básicas e exigia o uso contínuo de oxigênio.
Altair Almeida, transplantado, conta como tem sido o período posterior ao procedimento:
"Já faz um ano e meio que eu fui transplantado e a gente agora está vivenciando essa fase de cuidados. Mas graças a Deus eu estou me sentindo bem. A gente tem ainda exames mensais no hospital e consultas mensais e até agora tudo tem caminhado muito bem. Eu fui salvo, eu estou aqui e vivo para dar esse testemunho. Continuem conversando com as suas famílias e digam sim à doação para que pessoas sejam salvas."
Doação de órgãos é tema de campanha no Ceará
A campanha Maria Sofia, do Grupo Cidade de Comunicação, trabalha a conscientização sobre a doação de órgãos e busca estimular o diálogo dentro das famílias. A proposta é mostrar a importância da decisão de doar e como esse gesto pode influenciar a vida de pessoas que aguardam por um transplante.
No Ceará, foram realizados 2.102 transplantes em 2025. O número superou os 2.060 procedimentos registrados no ano anterior.
No Brasil, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida a intenção de ser doadora, a autorização precisa ser dada pela família. Por isso, conversar sobre o assunto antes de uma situação de luto pode ajudar os parentes a conhecer a vontade do familiar.
Segundo Lucyara Catunda, integrante do Programa de Transplante Pulmonar do Hospital de Messejana, conversar previamente com os familiares sobre o desejo de ser doador pode facilitar todo o processo:
"Os principais responsáveis pela liberação do órgão na doação, quando o paciente está em morte encefálica, é a família. O familiar mais próximo. Então, ele sabendo que você já é doador, facilita esse processo da doação, que então acontece de modo mais rápido e menos doloroso. Porque a gente sabe que é muito doloroso. Mas já sabendo, é importante essa conscientização e sensibilização da população."




