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Ceará é o terceiro estado que mais realiza transplantes de coração no Brasil

Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes é uma das principais referências nesse tipo de procedimento

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Ceará é o terceiro estado que mais realiza transplantes de coração no Brasil
O Ceará possui uma estrutura consolidada de transplantes, com unidades habilitadas para diferentes órgãos e tecidos (Foto: Reprodução)

O Ceará ocupa posição de destaque nacional na realização de transplantes de coração, tendo o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, em Fortaleza, como uma das principais referências nesse tipo de procedimento. A unidade, vinculada à Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), realiza transplantes cardíacos em adultos e crianças e acumula décadas de experiência na área. Em 2026, segundo os dados apresentados na reportagem, 22 pacientes já haviam passado pelo procedimento no hospital.

A dimensão desse trabalho pode ser percebida nas histórias de quem recebeu um novo coração. É o caso de Marilac Batista, que recebeu o transplante em 20 de julho de 2002. Para ela, a data passou a representar um segundo aniversário, marcado pela possibilidade de continuar acompanhando momentos importantes da família.

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“Há 24 anos, o coração de um doador bate no peito da Marilac”, destaca a reportagem ao recordar a data do procedimento.

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O transplante permitiu que Marilac acompanhasse a trajetória dos filhos, a chegada dos netos e conquistas familiares que, sem o procedimento, poderiam não ter sido vivenciadas.

“Tive muitas oportunidades de ver meus filhos terminarem os estudos, casar, chegar aos netos, acompanhar os netos e até a formatura da neta mais velha. Então, assim, é uma graça tão grande”, relatou Marilac.

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A história dela ajuda a dimensionar o impacto que existe por trás das estatísticas de transplantes. Cada procedimento envolve uma estrutura complexa, mas também depende de uma decisão tomada por uma família em um dos momentos mais difíceis: autorizar a doação de órgãos após a confirmação da morte encefálica.

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O Hospital de Messejana é oficialmente habilitado para transplante de coração pelo Ministério da Saúde. A instituição também é reconhecida pelo Governo do Ceará como referência em procedimentos cardíacos de alta complexidade, incluindo transplantes em adultos e crianças.

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Hospital de Messejana é referência em transplante cardíaco

O serviço de transplante cardíaco do Hospital de Messejana foi implantado em 1999. Em agosto de 2023, a Secretaria da Saúde do Ceará informou que a instituição havia alcançado a marca de 515 transplantes cardíacos desde o início do serviço.

Em 2024, o Governo do Ceará também destacou o hospital como o segundo maior hospital transplantador de coração do Brasil.

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A estrutura construída ao longo dos anos envolve profissionais de diferentes áreas. O coordenador da área de transplantes do Hospital de Messejana, João David de Souza, destaca justamente o caráter coletivo do trabalho.

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“Ao longo desses anos, nós formamos uma equipe multidisciplinar, grande, onde todos estão envolvidos. O sucesso de um serviço não é porque o cirurgião tal faz bem o transplante, porque o clínico tal faz bem o acompanhamento. Tudo isso é feito em conjunto”, afirmou.

O trabalho começa antes mesmo da chegada do órgão ao hospital. Depois da confirmação da morte encefálica e da autorização familiar para a doação, equipes precisam organizar a captação, o transporte e o implante em um intervalo reduzido.

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No caso do coração, o tempo é um dos principais fatores para o sucesso do procedimento. Segundo as informações apresentadas na reportagem, são até quatro horas entre a retirada do órgão do corpo do doador e o transplante no receptor.

A Secretaria da Saúde já destacou que o tempo de isquemia — período em que o coração permanece fora do corpo sem irrigação sanguínea — é um dos fatores críticos durante o procedimento. Em transplantes cardíacos de adultos, a equipe trabalha para que esse intervalo não ultrapasse quatro horas.

Como funciona a escolha de quem recebe um coração

A realização de um transplante não depende apenas da existência de um órgão disponível. O receptor precisa atender a critérios médicos específicos para que o procedimento possa ser realizado.

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Entre os fatores considerados estão a compatibilidade do tipo sanguíneo, a presença do paciente na lista de espera e as características físicas do coração doador em relação ao corpo do receptor.

No caso das crianças, a compatibilidade das dimensões ganha ainda mais importância. Um coração que não tenha tamanho adequado pode não atender às necessidades do organismo da criança que aguarda o transplante.

O cirurgião cardíaco pediátrico Valdester Pinto Jr. explica que o desafio é ainda maior nos casos infantis, especialmente por causa do tempo necessário para transportar o órgão até o paciente.

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“Uma das preocupações dos transplantadores de órgãos como o coração, que tem tempo hábil de isquemia para ter um bom resultado, é oferecer a essas crianças que ficam muitas vezes um ano na fila tecnologia que suporte corações com tempo de isquemia maior”, explicou.

A necessidade de transplante cardíaco pediátrico costuma estar relacionada a doenças cardíacas graves. Muitas crianças nascem com cardiopatias congênitas que comprometem a formação e o funcionamento do coração.

É o caso de Amália, citada na reportagem. A criança nasceu com hipoplasia do lado esquerdo do coração, uma condição que compromete a capacidade de bombear sangue adequadamente.

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Depois do transplante, a realidade mudou.

“Depois do transplante, ela é outra criança. Existe a Amália antes e a Amália depois. A Amália hoje tem qualidade de vida, ela brinca, corre, ela tem uma energia incrível”, relatou Valdester.

O médico acrescentou que a criança já escreve e tem uma rotina marcada por mais qualidade de vida após o procedimento.

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O Hospital de Messejana mantém estrutura dedicada à cardiologia pediátrica e ao transplante cardíaco infantil. Em 2024, a unidade informou que já havia realizado 87 transplantes cardíacos pediátricos, cinco deles somente naquele ano.

Doação de órgãos pode beneficiar mais de uma pessoa

A história de Marilac também mostra que a doação pode continuar produzindo efeitos mesmo depois de um transplante.

Antes de receber o coração que lhe permitiu seguir vivendo, ela autorizou a retirada de uma válvula cardíaca do órgão que seria substituído. O material foi encaminhado para utilização em outra pessoa.

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Marilac conta que só soube posteriormente que uma parte do seu antigo coração havia sido aproveitada em outro procedimento.

“Se fosse para tu doar alguma coisa do teu coração, na hora do transplante, tu doava, você doava, né?”, contou, ao recordar a conversa que teve sobre a possibilidade de aproveitamento da válvula.

Segundo o relato apresentado na reportagem, após o transplante, uma aeronave aguardava o órgão para que a válvula pudesse ser retirada e encaminhada para utilização em outra pessoa.

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A possibilidade de aproveitar diferentes órgãos e tecidos reforça a dimensão da decisão de uma família diante da doação. Um único doador pode representar oportunidades de tratamento para várias pessoas.

Essa realidade aparece também na história de Maria Sofia, apresentada na reportagem como estudante de Direito e influenciadora digital. Ela recebeu um fígado na tentativa de continuar vivendo, mas não resistiu ao tratamento.

Mesmo diante da perda, a família autorizou a doação dos órgãos. Conforme o relato da reportagem, os órgãos de Maria Sofia ajudaram a salvar quatro vidas.

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A história passou a integrar uma campanha de incentivo à doação de órgãos, utilizando a comunicação para estimular outras famílias a conhecerem o processo e conversarem sobre o tema.

Doação é etapa essencial para aumentar transplantes

O Ceará possui uma estrutura consolidada de transplantes, com unidades habilitadas para diferentes órgãos e tecidos. A Central de Transplantes da Sesa coordena o sistema estadual, enquanto equipes intra-hospitalares e organizações de procura de órgãos atuam na identificação e manutenção de potenciais doadores.

No caso do coração, a existência de um serviço especializado precisa estar acompanhada de uma rede capaz de garantir que o órgão seja captado e transportado dentro do tempo necessário.

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É por isso que o transplante cardíaco não se resume à cirurgia realizada no centro transplantador. A cadeia começa na identificação do potencial doador e passa pela confirmação da morte encefálica, autorização da família, avaliação do órgão, logística de transporte, preparação do receptor, cirurgia e acompanhamento posterior.

O próprio Hospital de Messejana já demonstrou a complexidade dessa operação ao realizar dois transplantes cardíacos simultaneamente em 2023. Na ocasião, mais de 30 profissionais participaram das etapas de captação e implantação dos órgãos.

Para os pacientes que aguardam um coração, a existência dessa estrutura significa a possibilidade de receber um órgão compatível quando ele estiver disponível. Para as famílias dos doadores, representa a chance de transformar uma perda em novas oportunidades de vida.

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É justamente essa relação entre tecnologia, equipes especializadas e solidariedade que aparece nas histórias de Marilac, Amália e Maria Sofia.

No caso de Marilac, o transplante realizado em 2002 permitiu que ela chegasse aos 24 anos de uma nova vida e acompanhasse os filhos, os netos e diferentes momentos familiares. Em crianças como Amália, o procedimento pode significar a mudança entre uma rotina limitada pela doença e uma vida com possibilidade de brincar, correr e estudar.

O resultado dos transplantes, portanto, vai muito além dos números registrados pelos hospitais. Cada procedimento depende de uma rede inteira funcionando em conjunto e, principalmente, da decisão de uma família de autorizar a doação.

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No Ceará, essa cadeia ajudou a consolidar o Hospital de Messejana como referência em transplantes cardíacos adultos e pediátricos. E, para quem recebeu um novo coração, o significado do procedimento pode ser resumido em uma palavra presente no relato de Marilac: oportunidade.

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