Uma baleia-jubarte macho, com mais de 10 metros de comprimento, foi encontrada morta nesta sexta-feira (18) na Praia de Redonda, em Icapuí, no litoral do Ceará. A presença da carcaça já havia sido comunicada à Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) na tarde de quinta-feira (17), quando o animal ainda estava à deriva no mar, a cerca de três quilômetros da costa.
O registro da baleia também foi feito pelo pescador Jailson José. Ele avistou o animal de longe e se aproximou com uma embarcação artesanal para verificar a situação.
Imagens divulgadas pelo pescador nas redes mostram a carcaça no mar. No vídeo, é possível observar marcas que podem ser compatíveis com mordidas de tubarão, mas não há confirmação de que esses sinais estejam relacionados à morte da baleia. A Aquasis informou que ainda não é possível determinar a causa do encalhe e da morte.
Baleia foi localizada na Praia de Redonda
A espécie encontrada em Icapuí é a baleia-jubarte, cujo nome científico é Megaptera novaeangliae. O animal localizado no litoral cearense é um macho adulto.
Após receber a informação sobre a presença da carcaça, a Aquasis mobilizou uma equipe para realizar o registro do animal, coletar amostras biológicas e buscar informações que possam ajudar na investigação das circunstâncias do encalhe.
A organização também pretende orientar os órgãos públicos sobre os procedimentos necessários para a retirada e o enterro da baleia.
De acordo com a Aquasis, a remoção depende de maquinário apropriado e do apoio da Prefeitura de Icapuí. O trabalho é considerado complexo porque precisa levar em conta fatores como as condições ambientais, o local onde a carcaça está e as variações da maré.
Por essas características, a operação pode levar mais de um dia até ser concluída.
Aquasis investiga causa da morte
Até o momento, não há uma causa definida para a morte da baleia-jubarte.
A Aquasis informou que pretende coletar material biológico para contribuir com a investigação. A análise deverá ajudar a identificar possíveis causas relacionadas ao encalhe e à morte do animal.
As marcas observadas nas imagens feitas pelo pescador Jailson José não foram apontadas pela organização como causa confirmada da morte. Por isso, qualquer relação com eventual ataque de tubarão permanece sem confirmação.
A retirada da carcaça também depende de condições adequadas para que o procedimento seja realizado com segurança e de forma apropriada.
ONG faz alerta sobre contato com a carcaça
A Aquasis orienta que moradores e visitantes não se aproximem da baleia morta. A recomendação inclui não tocar no animal, não subir sobre a carcaça e não retirar qualquer parte do corpo.
Segundo a organização, mamíferos marinhos em processo de decomposição podem transmitir doenças aos seres humanos.
A orientação é especialmente importante porque animais de grande porte encalhados podem atrair pessoas interessadas em observar ou registrar imagens. A recomendação é manter distância e deixar o manejo sob responsabilidade das equipes especializadas e dos órgãos públicos envolvidos.
Encalhes de baleias são registrados durante temporada reprodutiva
O registro em Icapuí ocorre durante o período em que as baleias-jubarte costumam migrar para as águas mais quentes do litoral brasileiro.
Segundo a Aquasis, já foram registrados 35 encalhes de baleias de barbatana no Ceará. Desse total, 26 envolveram baleias-jubarte.
A ocorrência está relacionada ao período reprodutivo da espécie, que vai de julho a novembro. Nessa época, as jubartes deixam áreas mais frias próximas à Antártida e seguem para regiões de águas mais quentes da costa brasileira, onde ocorre a reprodução e o nascimento dos filhotes.
Em determinadas áreas do litoral, os animais podem ser observados próximos da costa durante essa migração.
O que é uma baleia-jubarte?
A baleia-jubarte é um mamífero marinho conhecido cientificamente como Megaptera novaeangliae. A espécie vive em diferentes regiões dos oceanos e é conhecida pelos saltos, pelos cantos produzidos pelos machos e pelas longas migrações.
Os animais adultos podem atingir aproximadamente 15 a 17 metros de comprimento e pesar dezenas de toneladas. Uma das características da espécie são as nadadeiras peitorais muito longas, que podem representar quase um terço do comprimento do corpo.
A alimentação das jubartes é composta principalmente por pequenos peixes e krill. Durante o período reprodutivo, os machos produzem cantos complexos, que estão entre os comportamentos mais conhecidos da espécie.
As baleias realizam deslocamentos entre áreas de alimentação, geralmente localizadas em águas mais frias, e regiões tropicais e subtropicais utilizadas para reprodução. No Brasil, a presença das jubartes é mais comum entre julho e novembro.
Como comunicar o encalhe de um mamífero marinho
A Aquasis orienta que casos de mamíferos marinhos encontrados vivos ou mortos sejam comunicados à instituição.
Os contatos disponibilizados pela organização são os telefones e WhatsApp (85) 99800-0109 e (85) 3113-2137.
A Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) é uma organização de conservação ambiental fundada em Fortaleza há 30 anos por estudantes e professores universitários da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Ao longo de três décadas de atuação, a instituição recebeu prêmios nacionais e internacionais pelo trabalho de conservação de espécies ameaçadas de extinção. Entre eles estão o Prêmio Nacional da Biodiversidade, concedido pelo Ministério do Meio Ambiente em 2017, e o Future for Nature Award, recebido em 2010 por meio da Future for Nature Foundation, instituição sediada na Holanda.




