A percepção de que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão mais envolvidos no caso de fraudes financeiras do Banco Master aumentou 12,9 pontos percentuais entre março e setembro, segundo a série histórica da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. Na rodada divulgada nesta quinta-feira (17), 41,2% dos entrevistados apontaram os aliados de Bolsonaro como o grupo político mais envolvido no caso.
Em março, esse percentual era de 28,3%. Já a parcela que associa o caso principalmente a aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou de 39,5% para 40,2% no mesmo período, uma variação de 0,7 ponto percentual.
Os números mostram uma mudança na percepção medida pelo levantamento. Em março, a diferença entre os grupos era de 11,2 pontos percentuais em favor dos aliados de Lula. Na rodada atual, a distância caiu para 1 ponto, com 41,2% citando aliados de Bolsonaro e 40,2% apontando aliados de Lula.
Os dados representam a percepção dos entrevistados sobre o caso e não constituem comprovação de envolvimento de qualquer grupo político em irregularidades.
Percepção sobre aliados de Bolsonaro cresce desde março
A evolução do indicador ocorreu ao longo das rodadas da pesquisa. Em junho, 37,6% dos entrevistados apontavam aliados de Lula como mais envolvidos no caso Master, enquanto 36% citavam aliados de Bolsonaro.
Na pesquisa de setembro, os percentuais se inverteram numericamente. O grupo ligado a Bolsonaro passou a ser citado por 41,2%, enquanto os aliados de Lula aparecem com 40,2%.
Outra mudança ocorreu entre os entrevistados que consideram os dois campos políticos igualmente envolvidos. Essa resposta correspondia a 24,7% em março, caiu para 20,4% em junho e chegou a 13,8% na rodada mais recente.
O levantamento também registrou 3,4% de entrevistados que consideram que o caso atinge principalmente o Centrão.
Como mudou a percepção sobre os grupos políticos no caso Master
A série histórica mostra que o crescimento da parcela que associa o caso a aliados de Bolsonaro não foi acompanhado por uma queda equivalente na percepção sobre os aliados de Lula.
Entre março e setembro, o índice referente ao grupo ligado ao presidente variou de 39,5% para 40,2%, enquanto o percentual relacionado aos aliados de Bolsonaro subiu de 28,3% para 41,2%.
Assim, a mudança registrada no período ocorreu principalmente pelo aumento da parcela que passou a apontar o grupo ligado ao ex-presidente, e não por uma simples transferência de respostas de um grupo para o outro.
Na rodada atual, considerando a margem de erro de um ponto percentual, a diferença nominal de um ponto entre os dois grupos não permite estabelecer uma separação estatística entre os percentuais.
Documentos ampliaram o alcance político do caso Banco Master
A mudança na percepção ocorre em um período marcado pela divulgação de documentos, mensagens e informações relacionadas às investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro.
Entre os materiais que ganharam repercussão estão diálogos extraídos do celular de Vorcaro, que passaram a envolver pessoas ligadas a diferentes grupos políticos e integrantes ou pessoas próximas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Reportagens também divulgaram mensagens relacionadas aos filhos dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, além de referências a tentativas de aproximação com o ministro André Mendonça.
A menção a essas pessoas nas investigações ou nas mensagens, porém, não significa, por si só, envolvimento dos ministros em irregularidades. Os citados apresentaram negativas ou explicações sobre os episódios.
O caso também alcançou Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência e filho de Jair Bolsonaro. O senador aparece em uma frente de investigação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente.
A apuração busca verificar possíveis crimes relacionados aos recursos destinados ao projeto. Flávio Bolsonaro nega irregularidades.
Ao mesmo tempo, as investigações e documentos relacionados ao Banco Master também envolveram personagens ligados ao entorno político do presidente Lula e integrantes de outros partidos.
Crise no STF é associada por eleitores a maior impacto sobre Lula
A pesquisa apresentou ainda uma pergunta diferente: qual candidatura seria mais prejudicada pela crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal.
Nesse cenário, 49,5% dos entrevistados afirmaram que a crise prejudica mais Lula. Outros 20,9% disseram que Flávio Bolsonaro é o candidato mais afetado, enquanto 14,4% consideraram que os dois sofrem impacto semelhante.
Outros 6,7% disseram que nenhum dos dois é prejudicado pela crise, segundo os dados divulgados.
A diferença entre as respostas contrasta com a divisão observada quando os entrevistados foram questionados sobre qual grupo político estaria mais envolvido no caso Master. Nesse ponto, os percentuais ficaram próximos: 41,2% para aliados de Bolsonaro e 40,2% para aliados de Lula.
A crise no STF se intensificou após a divulgação de novos documentos relacionados às relações de Daniel Vorcaro com integrantes e pessoas próximas à Corte.
Em uma sessão realizada nesta semana, os ministros discutiram questões relacionadas à investigação envolvendo Alexandre de Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista e suspendeu a análise.
O presidente do STF, Edson Fachin, também passou a conduzir parte dos processos relacionados ao caso, em meio às divergências entre ministros sobre a condução das investigações.
Pesquisa Atlas ouviu 5.018 pessoas em setembro
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.018 pessoas entre 11 e 16 de setembro de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório.
A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Bloomberg e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06221/2026.




