A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (28), a Operação Coactio, que investiga a possível atuação de uma organização criminosa em crimes relacionados às eleições municipais de 2024 em Ocara, no interior do Ceará. A ação é realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE) e cumpre seis mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Eleitoral.
Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer o possível uso de integrantes de uma facção criminosa para coação de eleitores, corrupção eleitoral, associação criminosa e outros crimes relacionados ao processo eleitoral.
A apuração também pretende verificar se existem vínculos entre os investigados e membros da facção criminosa mencionada no procedimento.
As medidas judiciais foram autorizadas após representação da Polícia Federal e manifestação favorável do Ministério Público Eleitoral. O caso segue sob sigilo judicial.
A FICCO/CE é formada por representantes da Polícia Federal, Polícia Civil do Ceará, Polícia Militar do Ceará, Polícia Penal do Ceará e Secretaria Nacional de Políticas Penais.
Operação busca reunir provas sobre possível interferência eleitoral
Os mandados cumpridos nesta terça-feira têm como objetivo recolher materiais que possam contribuir para o avanço das investigações.
Entre os elementos buscados estão documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar a esclarecer a participação dos envolvidos e a possível ocorrência dos crimes investigados.
Após a apreensão, os materiais deverão passar por análise pericial. A partir dos resultados, os investigadores poderão aprofundar a apuração sobre autoria, participação e eventual ligação entre os suspeitos.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre prisões ou sobre os alvos das ordens judiciais cumpridas na operação.
PF também investigou suspeitas de corrupção eleitoral no Ceará
A Operação Coactio ocorre após outra ação da Polícia Federal relacionada a suspeitas de crimes eleitorais durante as eleições municipais de 2024 no Ceará.
No dia 15 de julho deste ano, a PF deflagrou a Operação Voto Livre, com cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral.
A operação teve como objetivo reunir provas sobre uma possível prática de corrupção eleitoral no Estado. A investigação busca esclarecer a autoria das condutas, a participação de terceiros, a origem dos recursos utilizados e uma eventual articulação entre os envolvidos.
Durante a ação, policiais federais realizaram buscas para localizar documentos e materiais que pudessem auxiliar na apuração.
O material recolhido foi encaminhado para análise pericial, enquanto a investigação continua sob acompanhamento da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral.
Caso sejam confirmadas irregularidades, os envolvidos poderão responder por crimes eleitorais.
Operação Traditori investigou suspeita de financiamento ilegal em Morada Nova
Em março deste ano, outra operação da FICCO/CE investigou uma possível relação entre uma organização criminosa e campanhas eleitorais realizadas em 2024 no município de Morada Nova, no interior do Ceará.
A Operação Traditori teve origem a partir de uma investigação da Polícia Civil relacionada ao tráfico de drogas. Durante a apuração, foram identificadas movimentações financeiras atribuídas à facção Guardiões do Estado (GDE), que indicariam possíveis repasses para campanhas eleitorais.
Na ocasião, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão. Entre os presos estavam cinco vereadores, que foram afastados das funções públicas.
Os mandados foram cumpridos em Fortaleza, Chorozinho, Morada Nova, Limoeiro do Norte e Pedra Branca, no Ceará, além da cidade de São Paulo (SP).
As ordens judiciais alcançaram locais como a Câmara Municipal de Morada Nova, endereços residenciais e imóveis ligados aos investigados.
Investigação começou com apuração sobre tráfico de drogas
Segundo informações da Delegacia de Morada Nova, a investigação começou em 2024, a partir de um inquérito sobre tráfico de drogas. No início de 2025, cerca de 21 pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa foram presas, entre elas o responsável financeiro do grupo na região.
Durante a análise das movimentações financeiras, os investigadores identificaram valores relacionados a campanhas eleitorais realizadas em 2024.
Como a suspeita envolvia possível crime eleitoral, as informações foram compartilhadas com a Polícia Federal, que iniciou uma investigação específica sobre a relação entre o grupo criminoso e o processo eleitoral.
Entre os vereadores investigados estavam:
- Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT), então presidente da Câmara Municipal de Morada Nova;
- Lucia Gleidevania Rabelo, conhecida como Gleide Rabelo (PT), que ocupava a função de secretária da mesa diretora da Câmara;
- Claudio Roberto Chaves da Silva, conhecido como Cláudio Maroca (PT);
- José Regis Nascimento Rumão (PP);
- José Gomes da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Dedé (PSB), que estava licenciado do cargo de vereador e, desde setembro de 2025, atuava como secretário de Administração da Prefeitura de Morada Nova.




