Integrantes do Comando Vermelho (CV) teriam exigido a renúncia do síndico de um condomínio no bairro Guajeru, em Fortaleza, como parte de uma estratégia para assumir o controle da distribuição de água e do fornecimento de internet no residencial. A informação faz parte das investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil do Ceará, que apura a atuação do grupo criminoso na região.
Segundo a investigação, além de pressionar pela saída do síndico, os suspeitos buscavam obrigar os moradores a contratar produtos e serviços comercializados por pessoas ligadas à facção. Os policiais também apuram denúncias de ameaças, extorsões e invasões ao condomínio, práticas que teriam sido utilizadas para consolidar o domínio do grupo sobre a comunidade.
Na última semana, a Polícia Civil prendeu mais três homens suspeitos de integrar a organização criminosa. Com essas capturas, chega a seis o número de investigados presos na operação iniciada em junho para desarticular o esquema criminoso no Guajeru. Em audiência de custódia realizada no domingo (19), a Justiça converteu a prisão em flagrante do trio em prisão preventiva.
Draco apura atuação da facção no Guajeru
As prisões foram realizadas por equipes do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Os mandados foram cumpridos nos bairros Guajeru, Parque Santa Maria e José Walter, em Fortaleza.
Entre os presos está um homem de 39 anos, com antecedentes por extorsão, tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo. Outro investigado, de 27 anos, possui antecedentes por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. O terceiro suspeito tem 26 anos.
Os três foram autuados por integrar organização criminosa ultraviolenta, crime previsto na nova Lei Antifacção. Após os procedimentos na sede da Draco, eles foram colocados à disposição do Poder Judiciário.
As investigações apontam ainda que um dos suspeitos teria participado de invasões ao condomínio e de ações de intimidação contra moradores.
Grupo tentava monopolizar serviços essenciais
De acordo com a Polícia Civil, o objetivo da facção era assumir o controle da distribuição de água e do fornecimento de internet no condomínio, obrigando os moradores a contratar serviços oferecidos por pessoas ligadas ao grupo criminoso.
Esse tipo de prática tem sido alvo de investigações das forças de segurança por envolver a exploração de serviços essenciais por organizações criminosas, além de ameaças e extorsões contra moradores para garantir o domínio territorial.
Entre as condutas investigadas está a exigência para que o síndico deixasse o cargo, medida que, conforme a apuração policial, facilitaria a implantação do esquema no residencial.
Justiça mantém suspeitos presos
Durante a audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão dos três investigados, considerando a gravidade dos fatos apurados.
Os suspeitos permanecem respondendo por integrar organização criminosa ultraviolenta, conforme a nova Lei Antifacção.
Operação já soma seis prisões
A investigação teve início em 24 de junho, quando outros três homens foram presos suspeitos de ameaçar e extorquir moradores de uma comunidade no Guajeru.
Conforme o Auto de Prisão em Flagrante (APF), os investigados buscavam impor o monopólio da distribuição de gás, água e serviços de internet, além de manter atuação ligada ao tráfico de drogas. Na ocasião, a Justiça também decretou a prisão preventiva do trio.
Ao fundamentar a decisão, a juíza Adriana da Cruz Dantas destacou que as investigações são sustentadas por depoimentos de testemunhas protegidas e por relatórios policiais que incluem reconhecimentos fotográficos dos suspeitos.
Segundo a magistrada, os elementos reunidos indicam que o grupo atuava de forma organizada e contínua, utilizando intimidação coletiva, ameaças e tentativas de extorsão para impor domínio sobre a comunidade e controlar serviços considerados essenciais.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do grupo criminoso e aprofundar a apuração sobre a atuação da facção na região do Guajeru.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncia", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.
As informações podem ser direcionadas ainda para o telefone (85) 3101-7591, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Organizadas (DRACO). O sigilo e o anonimato são garantidos.




