O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, de 75 anos, foi escolhido para assumir a pasta da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reconhecido por suas decisões em momentos críticos para os governos petistas durante seu tempo no STF, Lewandowski é visto como um nome que alinha uma postura progressista moderada, ganhando também respeito entre bolsonaristas.
Ao longo dos 17 anos que ocupou uma cadeira no Supremo, Lewandowski tomou decisões favoráveis aos aliados do presidente Lula em momentos-chave, incluindo o julgamento do mensalão e os desdobramentos da Operação Lava Jato. Sua reputação de conciliador entre diferentes correntes políticas o tornou uma escolha natural para liderar a Justiça e Segurança Pública na terceira gestão de Lula.
A oportunidade surgiu após a indicação de Flávio Dino para o STF, e o nome de Lewandowski já era cogitado pelos aliados de Lula desde então. Apesar de inicialmente o presidente buscar uma mulher para ocupar a vaga, a escolha final recaiu sobre Lewandowski, que aceitou o convite após uma reunião com Lula na segunda-feira (8).
Lewandowski foi indicado por Lula ao STF em 2006, quando era desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. A recomendação veio de Márcio Thomaz Bastos, então ministro da Justiça e uma figura proeminente no governo na época.
Durante seu mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2010, Lewandowski defendeu a Lei da Ficha Limpa. Entretanto, sua presidência no Senado durante o julgamento do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 foi marcada por uma manobra regimental que permitiu a votação separada da perda de mandato e da inabilitação para funções públicas. O Senado rejeitou a inabilitação, preservando os direitos políticos de Dilma.
A nomeação de Lewandowski para o Ministério da Justiça e Segurança Pública será oficializada nos próximos dias, marcando uma nova fase no governo Lula.




