Clientes que procuram as agências da Caixa Econômica Federal em Fortaleza estão encontrando as portas fechadas e atendimento presencial restrito durante a greve dos funcionários. Em unidades visitadas pela reportagem, como as localizadas nas avenidas Gomes de Matos e Pontes Vieira, o acesso às áreas internas está suspenso, enquanto os caixas eletrônicos permanecem disponíveis para operações que podem ser realizadas pelos terminais.
A paralisação nacional dos empregados da Caixa começou no dia 10 de setembro e segue por tempo indeterminado. Uma nova proposta apresentada pelo banco será submetida à votação dos trabalhadores na segunda-feira (21), em assembleia. A decisão poderá definir a continuidade ou o encerramento do movimento.
Apesar da paralisação, alguns clientes conseguem realizar operações básicas nos terminais de autoatendimento. Foi o caso do motorista Jailson Araújo, que conseguiu sacar dinheiro em uma das agências visitadas pela reportagem.
“Eu vim fazer o saque e, graças a Deus, eu consegui.”
Questionado se a greve havia prejudicado o atendimento que precisava naquele momento, ele respondeu:
“Não, não atrapalhou não.”
A situação, porém, pode ser diferente para quem precisa de serviços que dependem de orientação, análise de documentos ou atendimento de um funcionário.
Serviços essenciais preocupam consumidores
A Associação Cearense de Defesa do Consumidor chama atenção justamente para os serviços que não podem ser resolvidos apenas pelos caixas eletrônicos ou aplicativos. Entre eles estão demandas relacionadas ao Bolsa Família, Seguro-Desemprego, Pede Meia e procedimentos ligados ao financiamento habitacional com utilização do FGTS.
Para Leonardo Leal, presidente da Associação de Defesa do Consumidor do Ceará, a paralisação não elimina a obrigação de serem oferecidos canais para serviços considerados essenciais.
“O banco deve disponibilizar canais de atendimento, seja pela via online, seja pela via do telefone ou até mesmo presencial, de maneira reduzida, para serviços que são considerados essenciais e que não podem parar.”
Segundo ele, a preocupação está principalmente com situações em que o cliente precisa fazer uma solicitação, apresentar documentação, obter orientação ou receber algum tipo de protocolo.
“Como, por exemplo, a questão do recebimento de seguro-desemprego, a questão de solicitação de outros benefícios que precisem de algum tipo de protocolo, de algum tipo de solicitação ou de algum tipo de orientação.”
A orientação é especialmente importante para consumidores que não conseguem solucionar determinadas demandas pelo aplicativo ou pelos terminais eletrônicos.
Caixa mantém canais digitais e alternativas de atendimento
Durante a greve, a Caixa orienta os clientes a utilizarem os canais digitais e os serviços alternativos disponíveis. Aplicativos, Internet Banking, WhatsApp, caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui continuam sendo alternativas para diferentes operações.
O pagamento do Bolsa Família, por exemplo, segue normalmente durante a paralisação. Os beneficiários podem movimentar os recursos pelo Caixa Tem e utilizar alternativas como terminais de autoatendimento, lotéricas e correspondentes bancários.
Isso reduz o impacto da greve para operações mais simples, como saques e movimentações de valores. Já procedimentos que dependem exclusivamente de atendimento presencial podem exigir que o cliente aguarde a normalização do serviço ou procure os canais disponibilizados pelo banco.
A situação também é observada em outras unidades de Fortaleza. Na agência da Avenida Pontes Vieira, por exemplo, o atendimento encontrado pela reportagem estava concentrado nos caixas eletrônicos.
Por que os funcionários da Caixa estão em greve?
A paralisação ocorre no contexto das negociações para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028. Um dos principais pontos de divergência entre trabalhadores e banco envolve o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados.
A categoria rejeitou uma proposta anterior e decidiu manter a greve iniciada em 10 de setembro. Depois de novas negociações, a Caixa apresentou uma nova proposta, que será analisada pelos trabalhadores na segunda-feira (21).
Entre os pontos da nova proposta está a ampliação, a partir de 2027, do teto de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 9% da folha de pagamento. A proposta também mantém o plano no acordo coletivo e prevê que não haverá reajuste nas mensalidades em 2026.
Até que os trabalhadores decidam se aceitam ou não o novo acordo, as agências permanecem afetadas pela paralisação.
O que fazer se o cliente for prejudicado?
Para Leonardo Leal, consumidores que não conseguirem solucionar uma demanda pelos canais disponíveis podem procurar os órgãos de defesa do consumidor.
“O cliente que se sentir prejudicado pode procurar os órgãos de defesa do consumidor.”
Entre as alternativas está o portal Consumidor.gov.br, onde o consumidor pode registrar uma reclamação formal. Também é possível procurar o Procon ou o Decon.
“Nós temos o consumidor.gov.br, em que você pode abrir uma reclamação formal, também pode ser Procon ou Decon.”
Em situações nas quais a questão não seja solucionada administrativamente, o consumidor ainda pode buscar orientação jurídica.
“Se for o caso, caso seja necessário entrar com a ação judicial, procurando ou um advogado particular ou a Defensoria Pública, caso não consiga arcar com os custos de um advogado.”
A recomendação é que o consumidor guarde protocolos, comprovantes, documentos e registros das tentativas de atendimento. Esses registros podem ajudar caso seja necessário formalizar uma reclamação posteriormente.
Nova proposta será votada na segunda-feira
A definição sobre o futuro da greve está marcada para segunda-feira (21), quando os empregados da Caixa deverão votar a nova proposta apresentada pelo banco. A paralisação permanece até que a categoria delibere sobre o acordo.
Enquanto isso, clientes que precisam apenas de operações bancárias básicas podem continuar utilizando os terminais eletrônicos e os canais digitais. Já quem necessita de atendimento individualizado deve buscar as alternativas disponibilizadas pela Caixa ou registrar a demanda nos órgãos de defesa do consumidor quando houver dificuldade para acessar serviços essenciais.
A greve atual ocorre dez anos após a última paralisação nacional da Caixa mencionada no contexto sindical. Naquele movimento, os trabalhadores também reivindicavam mudanças nas condições de trabalho e questões salariais. Agora, o principal ponto de impasse está relacionado ao custeio e às regras do Saúde Caixa.




