O número de eleitores do Nordeste aumentou em mais de 1 milhão nos últimos quatro anos, ampliando a participação da região no cenário eleitoral brasileiro. Com 43 milhões de pessoas aptas a votar, o Nordeste pode novamente exercer influência importante na escolha dos próximos representantes nas eleições deste ano.
O crescimento ocorre em um momento em que outras regiões registraram redução no eleitorado. O Sudeste, por exemplo, perdeu cerca de 378 mil eleitores no mesmo período.
A mudança no perfil do eleitorado está relacionada a fatores demográficos e econômicos, segundo análise de especialistas. Para a cientista política Carla Michele Quaresma, o avanço da economia em municípios nordestinos ajudou a manter moradores na própria região.
“O crescimento da economia fez com que a população nordestina permanecesse na região. Nós temos uma população que permanece e isso acontece também em cidades do interior do estado, não somente nas capitais”, explica Carla Michele.
Segundo ela, investimentos realizados em diferentes municípios contribuíram para preservar populações locais e fortalecer o crescimento dessas cidades.
Eleitorado do Nordeste cresce mais de 1 milhão em quatro anos
O aumento do número de votantes mostra uma transformação na distribuição do eleitorado brasileiro. Atualmente, mais de 150 milhões de brasileiros estão aptos a participar das eleições de outubro.
No Nordeste, o crescimento representa uma ampliação da força eleitoral da região, que historicamente possui participação relevante nas disputas nacionais.
Além do aumento populacional, a presença de novos eleitores também está relacionada à entrada de jovens no processo eleitoral e à permanência de moradores em seus estados de origem.
A cientista política avalia que o crescimento não está concentrado apenas nas capitais, mas também em municípios do interior.
“Em cidades do interior que cresceram muito, com grandes investimentos que foram feitos, conseguiram preservar as suas populações”, afirma Carla Michele.
Esse cenário aumenta a importância estratégica do Nordeste para candidatos que disputam cargos estaduais e federais, especialmente em uma eleição marcada pela disputa por votos em diferentes regiões do país.
Região pode ter papel decisivo na disputa presidencial
Nas últimas eleições presidenciais, o Nordeste teve participação considerada decisiva no resultado nacional. No segundo turno de 2022, a região registrou 69,34% dos votos válidos para Luiz Inácio Lula da Silva, contra 30,66% para Jair Bolsonaro.
Para Carla Michele Quaresma, o histórico recente mostra uma tendência de maior alinhamento do eleitorado nordestino com o Partido dos Trabalhadores (PT), o que pode influenciar novamente a disputa presidencial.
“Nós temos verificado nos últimos pleitos uma predominância do voto nordestino mais orientado para o Partido dos Trabalhadores”, explica a cientista política.
Segundo ela, o desempenho eleitoral do Nordeste tem sido relevante nas últimas disputas pelo Palácio do Planalto.
“Inclusive nas últimas eleições do presidente Lula, tem sido decisivo o voto do Nordeste no sentido de garantir a vitória eleitoral”, afirma Carla Michele.
Com o crescimento do número de eleitores, a região passa a representar uma parcela ainda maior do eleitorado nacional e deve ser um dos principais focos das campanhas durante o período eleitoral.
Quais cargos serão escolhidos pelos eleitores em outubro
Apesar da proximidade do primeiro turno, parte dos eleitores ainda demonstra dúvidas sobre quais cargos estarão em disputa.
Nas eleições deste ano, o eleitor deverá escolher seis cargos. A ordem de votação será:
- deputado federal;
- deputado estadual ou distrital;
- senador (primeira vaga);
- senador (segunda vaga);
- governador e vice-governador;
- presidente e vice-presidente.
Caso haja segundo turno, a votação será destinada aos cargos do Executivo que não alcançarem a maioria necessária no primeiro turno, incluindo governador e presidente.
A eleição está marcada para o dia 4 de outubro, quando milhões de brasileiros irão às urnas para definir os representantes que ocuparão cargos nos próximos anos.
Com um eleitorado maior e uma participação histórica nas disputas nacionais, o Nordeste deve novamente ocupar posição central nas estratégias dos candidatos e nas análises sobre o resultado das urnas.




