A executiva nacional da Federação União Progressista definiu, nesta sexta-feira (27), o comando da composição partidária no Ceará e encerrou um impasse interno sobre o direcionamento político da aliança no estado. O ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) foi escolhido para presidir a federação em território cearense, consolidando o alinhamento da sigla ao campo de oposição ao governador Elmano de Freitas (PT) nas eleições previstas para outubro.
A decisão também reforça a articulação política em torno da possível candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual. O anúncio foi feito após a oficialização da federação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ocorrida na quinta-feira (26).
Definição encerra disputa interna
Capitão Wagner convocou coletiva de imprensa para apresentar o documento enviado pela direção nacional da federação, confirmando sua indicação para liderar a estrutura partidária no Ceará. Segundo ele, a medida encerra divergências internas e versões conflitantes sobre o futuro da federação no estado.
O impasse envolvia, principalmente, a disputa de influência entre lideranças locais. De um lado, Wagner articulava para manter a federação na oposição; de outro, parlamentares como os deputados federais Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa, alinhados ao governo estadual, buscavam direcionar a estrutura partidária para apoiar a reeleição de Elmano de Freitas.
A indefinição vinha sendo alimentada por diferentes interpretações de reuniões com a cúpula nacional da federação, especialmente com o presidente Antonio Rueda. A cada encontro, relatos divergentes eram apresentados publicamente, prolongando o cenário de incerteza política.
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União Progressista no Ceará e impacto eleitoral
Com a definição do comando estadual, a Federação União Progressista no Ceará passa a atuar oficialmente no campo oposicionista, o que pode influenciar diretamente a configuração das alianças para o pleito estadual. A expectativa é de que a estrutura partidária — que inclui tempo de televisão, recursos e base política — seja utilizada para fortalecer a candidatura de oposição ao governo.
De acordo com Capitão Wagner, o compromisso com a oposição foi estabelecido ainda durante articulações anteriores à formalização da federação, incluindo reuniões com lideranças nacionais e regionais. Entre os encontros citados, está um jantar em Brasília que reuniu dirigentes partidários e políticos como Ciro Gomes e Roberto Cláudio, no qual teria sido acordado o posicionamento político no Ceará.
A consolidação da federação ocorre após um processo de aproximação entre grupos políticos iniciado após as eleições de 2022. Segundo Wagner, o diálogo com aliados foi intensificado ao longo dos últimos anos, incluindo a filiação de novas lideranças e a reorganização partidária no estado.
Bastidores políticos e movimentações partidárias
O processo de definição do comando também foi marcado por mudanças partidárias e articulações nos bastidores. O ex-deputado Danilo Forte deixou a legenda durante o período de negociações, enquanto a deputada Fernanda Pessoa também se desfiliou recentemente.
Além disso, houve episódios que ampliaram a tensão política, como a divulgação de informações sobre possíveis filiações à federação por parte de integrantes do grupo governista. Essas movimentações contribuíram para a disseminação de especulações sobre uma eventual mudança de posicionamento da aliança.
Capitão Wagner afirmou que, mesmo diante das divergências, manteve a estratégia de não responder publicamente às declarações durante o período de indefinição. Ele também destacou a manutenção de relações pessoais com lideranças políticas envolvidas no processo, apesar das diferenças de posicionamento.
Próximos passos e articulação para 2026
Com a definição formalizada, a federação inicia agora o processo de organização das direções estaduais e de fortalecimento da base política. A expectativa é de novas filiações partidárias nos próximos dias, tanto no União Brasil quanto no Progressistas, partidos que compõem a aliança.
Segundo Wagner, há articulações em andamento para estruturar chapas de candidatos a deputado federal e estadual, além de ampliar o diálogo com outras siglas. Ele mencionou, ainda, a possibilidade de apoio de novos partidos ao projeto político da oposição no Ceará.
A movimentação também inclui esforços para consolidar a candidatura ao governo estadual, com expectativa de anúncio nos próximos dias. A definição da federação é considerada um passo estratégico para dar sustentação política e eleitoral à disputa.
A Federação União Progressista reúne duas das principais legendas do país e, com a decisão no Ceará, passa a desempenhar papel relevante na reorganização do cenário político local, especialmente na formação de blocos para as eleições estaduais.
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